quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Insônia...

Me diga,
Convença-me que existo
Não há rastro das minhas pegadas
Eu não reflito, nem me converto em sombra
Não há sentimentos em mim
Além das palavras nada me resta
Não há sonhos em meus olhos
Nem liberdade na minha alma
(se é que a tenho)
Não sirvo para escravo
Apenas transporto um corpo vazio
Cego
Surdo
Mudo
Insensível
Insípido e inodoro
Que vegeta durante os anos que seguem.
Diga-me
O teor da realidade dos filmes
A graça que tem as comédias
Eu não vivo entre os deuses
Não como do seu pão
Nem tomo do seu vinho
Não vivo em pecados
Mais estou condenado ao cotidiano
Sem mudanças, sem novidades
Tão insensível quanto meu corpo
Convença-me e talvez
Eu consiga dormir.

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