Sob a lua,
num profundo e frio abismo,
vago, cego como morcegos,
voo em busca da liberdade.
O tempo passa,
mas a noite contínua e uniforme,
castiga meus olhos
e mantém minha mente obscura.
Lágrimas se vão sem que eu perceba.
Não vejo por onde passo,
mas sinto o brilho dos seus olhos,
que me guiam para a eternidade.
Me perco dentre toda a escuridão,
sinto o calor da terra,
o ardor do ar
e seu cheiro se confunde
junto á todos os elementos,
demonstrando toda a sua totalidade.
Seu cosmos me eleva
e todos os anjos me saúdam
ainda não vejo,
mas sinto um manto estelar,
que recobre minha nudez de espirito
e sobre todos os seres,
eu me confundo,
e demonstro toda a minha igualidade
tão real quanto a sua superioridade.
